A história

Foto da foto de Antônio Florentino da Silva

 Para fazer esse resumo da história do lugar, entrevistamos Adriana, filha caçula do fundador da Vila Brandão e conversamos com moradores antigos, como Dona Raimunda, ex-líder da comunidade, Alex, Suzie e Seu Charles, além de Marta (dançarina) e Marcondes Dourado (videomaker) que foram acolhidos pela vila, apesar de não terem nascido lá.

A história da vila teve início há um pouco mais de 50 anos, quando Seu Antônio, fundador da Vila, construiu a primeira casa nos paredões da Vitória vindo de Santo Antônio de Jesus, cidade do interior da Bahia (180km de Salvador). Aos poucos, ele foi ocupando outras áreas e costumava dizer que comeu muita farinha seca pra construir as diversas casas que foram o início do que é Vila Brandão. No inicio, as casas eram feitas com os botijões de zinco que eram as lixeiras durante os carnavais, depois de pau-a-pique, até chegar a construir em concreto.  Como colonizador, seu Antônio gerou muitos descendentes que em sua maioria ainda vivem na comunidade; a exemplo de Alex e Adriana. Seu Antônio faleceu no ano de 2007 com 100 anos de idade. Foi homem polivalente, já fez de tudo: Pai de Santo, jardineiro, dono de bar, construtor, feirante e muito mais.

Apesar da comunidade  ter surgido com o caráter de ocupação, hoje, muitos moradores já possuem as escrituras de suas casas e pagam IPTU como qualquer outro morador regular de Salvador. Contudo, a prefeitura tão presente na hora de cobrar o IPTU é a mesma que deixa os moradores completamente desassistidos de saneamento básico, coleta de lixo e etc.

 Infelizmente, as grandes corporações, como os dirigentes do Iate Clube da Bahia (que devem cerca de 30 milhões de reais à prefeitura), teimam em querer desalojar os moradores em prol de seus interesses financeiros, uma vez que o local é muito valorizado. Como exemplo destes embates, segundo os moradores, recentemente o Iate clube ateou fogo contra barracões da comunidade e expandiu seus depósitos navais sobre a área da vila. Há inclusive um documentário, de 2002, que retrata o conflito e foi feito por alemães que por aqui passaram: chama-se “A área”.

Depois de passar tantos anos lutando, agora a população se depara com uma ameaça ainda maior. A Prefeitura de salvador com o novo PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento urbano) pretende reformular a orla marítima da cidade junto aos interesses das grandes construtoras – tal qual aconteceu com a Av. Paralela. Por isso, os moradores da Vila estão sob ameaça de despejo e contam com o apoio daqueles que tiverem algum senso de justiça.  

 

                                                                                     Entre a Vila e o Iate há uma área verde em disputa judicial

Outro fator que ganhou alguma repercussão na mídia foi a demolição de parte da Mansão Wildberger, antigo casaram que se localiza na entrada da Vila, sob forte protesto dos moradores da comunidade. A Igreja é patrimônio tombado e a Mansão estaria ligada arquitetonicamente a ela e por isso seria ilegal sua demolição. Infelizmente, a empreiteira responsável conseguiu colocar metade da construção abaixo com o interesse de construir um prédio no local. No momento a obra está embargada; ainda bem.

  Fundos do casarão

 

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Responses

  1. poxa, gostei muito disso…
    tem realmente uma grande historia por trás…

    • obrigado!

  2. Tenho interesse em conhecer a vila, como faço?

    • OI Gilherme! Apareça lá às terças ou quintas, por volta de 18h para roda de capoeira. Abs


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